Economia criativa e o seu papel na transformação do mundo

Se a criatividade é uma habilidade essencial para a inovação e a resolução de problemas, a economia criativa pode ser considerada um campo fértil de soluções, diante dos modelos econômicos tradicionais que, há muito tempo, se mostram ineficientes. 

Para entender melhor a situação da economia criativa no Brasil, seu papel na transformação do mundo, a versatilidade da sua atuação e alguns exemplos relevantes, acompanhe esse post até o final e confira as possibilidades oferecidas por esse conceito. 

O que é economia criativa?

Primeiramente, a economia criativa é um conceito que se refere à utilização da criatividade e do conhecimento como elementos-chave na elaboração de produtos e serviços que geram valor econômico e social.

Do mesmo modo, essa abordagem valoriza a originalidade e a diversidade cultural, além de reconhecer que a cultura é uma parte fundamental do desenvolvimento econômico. A economia criativa é uma área em crescimento, que tem atraído a atenção de governos, empresários e acadêmicos em todo o mundo. 

Segundo estimativas da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (ONUDI), a economia criativa representa cerca de 3% do PIB mundial e emprega mais de 30 milhões de pessoas.  Os profissionais que trabalham nesse setor são geralmente altamente qualificados e criativos, e muitos são empreendedores que buscam criar seus próprios negócios.

Além disso, a economia criativa incentiva a preservação e a promoção da diversidade cultural e do patrimônio imaterial, sendo a cultura uma forma importante de expressão das identidades coletivas e individuais. Logo a economia criativa pode ser uma ferramenta poderosa para promover a inclusão social e a coesão comunitária.

Como funciona a economia criativa?

O funcionamento da economia criativa é semelhante ao de outros setores econômicos, mas com algumas particularidades. Em geral, a economia criativa envolve a criação de produtos ou serviços que possuem um alto valor agregado, geralmente relacionado à originalidade, qualidade e inovação. 

Esses produtos ou serviços são produzidos com o propósito de proporcionar soluções únicas e personalizadas. Além disso, a economia criativa é composta por diversos setores, incluindo artes visuais, design, moda, música, cinema, arquitetura, publicidade, entre outros.

Os profissionais que trabalham na economia criativa geralmente são empreendedores e trabalham de forma autônoma ou em pequenas empresas. Eles possuem um alto grau de especialização e conhecimento em suas áreas de atuação.

A economia criativa também envolve a utilização de tecnologias e plataformas digitais, que têm permitido a expansão e a globalização dos setores criativos. A internet e as redes sociais, por exemplo, têm se mostrado ferramentas poderosas para a promoção e divulgação de produtos e serviços criativos, bem como para a conexão de profissionais e consumidores em todo o mundo.

Qual a importância da economia criativa para a sociedade?

A economia criativa desempenha um papel fundamental na sociedade, porque ela 

valoriza a criatividade, a inovação, a cultura e a diversidade, gerando oportunidades de negócios e empregos. 

Além disso, contribui para o desenvolvimento econômico e social das regiões e comunidades onde é praticada. Seus principais benefícios para a sociedade são:

  • Estímulo à criatividade e a inovação
  • Geração de empregos
  • Fortalecimento da identidade cultural
  • Promoção da diversidade
  • Desenvolvimento regional
  • Ampliação da visibilidade e do alcance

Sob o mesmo ponto de vista é importante ressaltar que, por focar em criatividade como sua principal característica, a economia criativa não se limita apenas a produtos, serviços ou tecnologias. A economia criativa também engloba processos, competências, modelos de negócios, formas de gestão, entre outros.

oficinas criativas no Festival Jardim Secreto

Conheça os setores da economia criativa

Antes de mais nada é preciso dizer que o campo criativo é bastante plural e versátil. Dito isso, os setores criativos são aqueles cujas atividades produtivas têm como processo principal um ato criativo gerador de um produto ou serviço, resultando em produção de riqueza cultural, econômica e social.

Em outras palavras, os setores devem ser entendidos por sua inserção nos sistemas produtivos constituídos por arranjos de profissionais, empresas, instituições e o setor público. Os setores criativos são divididos em três categorias principais: patrimônio cultural, criatividade e mídias e criações funcionais.

Patrimônio cultural: refere-se ao patrimônio cultural e natural, incluindo produtos e serviços de museus, sítios arqueológicos e históricos e paisagens culturais.

Criatividade e mídias:

  1. Artes de espetáculo e festivais: teatro, dança, música, ópera, circo, etc;
  2. Audiovisual e mídias interativas: cinema e vídeo, rádio e televisão, animação e jogos digitais, conteúdos;
  3. Artes visuais e artesanato: pintura, intervenções e instalações artísticas, arte digital, videoarte, escultura, fotografia, artesanato; 
  4. Livro e imprensa: livros, jornais e periódicos, quadrinhos, bibliotecas físicas e digitais e feiras do livro.

Criações funcionais: design e serviços criativos (moda, design gráfico, de interiores, de produto, paisagismo, arquitetura, publicidade e propaganda, marketing, startups, pesquisa e desenvolvimento, tecnologia da informação e comunicação).

Economia criativa no Brasil 

A economia criativa é um setor em crescimento no Brasil e tem se mostrado uma importante fonte de desenvolvimento econômico e social nos últimos anos. Entre os setores que mais se destacam na economia criativa brasileira estão a música, o audiovisual, o design, a moda, as artes visuais e a publicidade.

No entanto, apesar dos avanços, a economia criativa no Brasil ainda enfrenta desafios importantes. Um deles é a falta de incentivos e políticas públicas específicas para o setor, o que dificulta o acesso a financiamento e a capacitação de qualidade para os profissionais da área.

Outro desafio é a baixa representatividade de grupos minoritários na economia criativa brasileira, como mulheres, negros, indígenas e LGBTs. Esses grupos enfrentam barreiras adicionais para acessar recursos e oportunidades, o que contribui para a exclusão e a desigualdade social.

Ou seja, apesar dos avanços, a economia criativa no Brasil ainda precisa passar por uma movimentação ampla e expressiva. Somente assim será possível se consolidar como um setor estratégico que atua em prol do desenvolvimento econômico e cultural do país. 

Economia criativa: exemplos

Empreendedores, profissionais autônomos e coletivos que trabalham com a economia criativa têm a responsabilidade de criar soluções criativas e inovadoras para problemas de comunicação, usabilidade, estética e funcionalidade.

Nesse sentido, as iniciativas de quem trabalha com a economia criativa possuem  propósito e valores que beneficiam causas sociais importantes. Além disso, estimulam a transformação da sociedade através dos seus produtos e serviços.

Mas para você compreender melhor, selecionamos três exemplos de empresas que trabalham com a economia criativa. São elas:

  • Maria Tangerina: marca de bolsas 100% veganas feitas no Brasil. Empresa que utiliza novas tecnologias sustentáveis, co-cria com criadores de conteúdo e outras marcas conscientes, além de fomentar o consumo consciente. 
  • Psicotrópica: desenvolve um projeto dentro da Rede Saúde Mental Brasileira chamado Surto Criativo. A marca transforma em roupas as estampas criadas por artistas da saúde mental. 
  • Mina art: as estampas das roupas são criadas através de fotos de caleidoscópios, enquanto as cores dos acessórios são resultado da interação entre fogo e o material.

Ou seja, trabalhar com a economia criativa exige comprometimento com o social, o econômico e o cultural. Só assim economia criativa alcança seu objetivo. 

Como o Jardim Secreto contribui para a economia criativa?

O Jardim Secreto nasceu com o propósito de ser uma rede de fomento do feito à mão, da produção justa e sustentável. Logo sua atuação fortalece a economia local em todo o território nacional e inspira um futuro mais coletivo. 

Por meio das feiras é possível reunir inúmeras pessoas que desejam ocupar o espaço público em São Paulo e, principalmente, que precisam de apoio para os seus pequenos negócios.

Com esse trabalho, a Rede Jardim Secreto consegue praticar a economia criativa e disseminar o conceito para que mais marcas, artistas e profissionais em geral adotem o modelo econômico em seus empreendimentos.  

Em outras palavras, o Jardim Secreto contribui para o crescimento da economia criativa brasileira:

  • Fortalecendo marcas que produzem de forma artesanal; 
  • Ocupando espaços culturais e públicos da cidade; 
  • Oferecendo oficinas criativas de forma gratuita para incentivar o contato com o fazer manual
  • Divulgando o trabalho de artistas independentes, através dos shows no festival Jardim Secreto, por exemplo; 
  • Incentivando novas tecnologias sustentáveis por meio da distribuição de renda provocada pelo projeto.

 

Quais os desafios para o crescimento da economia criativa?

Alguns dos principais desafios para o crescimento da economia criativa envolve a falta de políticas públicas e incentivos para o setor. Afinal, muitos países ainda não têm políticas claras de fomento e incentivo à economia criativa, o que pode dificultar o acesso a recursos, capacitação e oportunidades para os empreendedores criativos.

A economia criativa muitas vezes requer investimentos de capital intensivos para a produção e distribuição de produtos e serviços criativos. No entanto, os empreendedores criativos podem enfrentar dificuldades em acessar financiamento adequado, devido à falta de entendimento dos financiadores sobre o potencial econômico e cultural do setor.

Outro ponto importante é que a economia criativa é um setor altamente competitivo, com muitos profissionais e empresas disputando espaço no mercado. Além disso, as novas tecnologias estão mudando rapidamente a forma como as pessoas consomem produtos e serviços criativos, o que pode afetar a competitividade dos empreendedores criativos.

A propriedade intelectual é um desafio importante para a economia criativa. Muitos produtos e serviços criativos são protegidos por direitos autorais, patentes e marcas, mas a pirataria e a violação de direitos autorais são um problema comum, especialmente em países onde a legislação é menos rigorosa.

Por fim, outro desafio para o crescimento da economia criativa é a resistência às mudanças. Muitas pessoas e instituições ainda veem a economia criativa como uma atividade de lazer ou hobby, e não como um setor estratégico para o desenvolvimento econômico e cultural.

 

Saiba 4 dicas de como apoiar a economia criativa

Mas, afinal, como apoiar a economia criativa? Aqui vão algumas dicas:

  1. Consuma produtos e serviços criativos: uma das formas mais simples de apoiar a economia criativa é consumir produtos e serviços criativos. Isso inclui comprar livros, discos, filmes, obras de arte, roupas e acessórios de marcas independentes, frequentar eventos culturais e participar de projetos criativos.
  2. Conheça e valorize os empreendedores criativos locais: procure conhecer e valorizar os empreendedores criativos locais da sua região. Isso inclui artistas, designers, músicos, escritores, cineastas e outros profissionais que atuam na economia criativa. Além de consumir seus produtos e serviços, divulgue seus trabalhos nas redes sociais e em outras mídias, participe de eventos e exposições, e recomende seus serviços para amigos e conhecidos.
  3. Invista em projetos criativos: se você tem recursos financeiros disponíveis, considere investir em projetos criativos. Existem diversas plataformas de crowdfunding e financiamento coletivo que permitem que pessoas comuns possam contribuir financeiramente para projetos criativos de artistas e empreendedores independentes. Além disso, você também pode investir em empresas criativas em estágio inicial por meio de fundos de investimento especializados.
  4. Pressione por políticas públicas de fomento à economia criativa: outra forma de apoiar a economia criativa é pressionar os governos locais e nacionais para que criem políticas públicas de fomento ao setor. Isso inclui incentivos fiscais, programas de capacitação e formação, linhas de crédito específicas, entre outros mecanismos que possam ajudar os empreendedores criativos a desenvolver seus negócios e expandir suas atividades.

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